Introdução

Os exames complementares de diagnóstico agrupam um conjunto de testes e técnicas médicos que permitem confirmar, orientar ou refinar um diagnóstico, um acompanhamento terapêutico ou um programa de tratamento.

Equilíbrio e postura

O pólo de competência funcional (PCF) da postura e de equilíbrio do Rehazenter é dedicado à avaliação e ao tratamento de indivíduos que apresentam alterações de equilíbro ou para melhorar o desempenho nestes domínios. As indicações são:

  • alterações de equilíbrio globais
  • sequelas funcionais de lesões neurológicas centrais e periféricas,
  • patologias vestibulares e vertigens,
  • cinetose ou enjoos dos transportes,
  • alterações neurovisuais,
  • etc.

As patologias traumato-ortopédicas ou desportivas (próteses de anca ou joelho, traumatismos e amputações do membro inferior) são tratadas, além de alterações da postura estática e dinâmica. A oferta deste serviço está à disposição da totalidade dos médicos e de outros profissionais de saúde do Rehazenter, além dos externos à instituição. Este pólo de competência é constituído de uma equipa de terapeutas de diferentes domínios (médico especialista em Medicina Física e de Reabilitação, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, psicomotricionista, ortoptista e terapeuta em desporto adaptado) que operam de maneira multi e interdisciplinar. O leque do funcionamento deste pólo estende-se por:

  • Pelo percurso completo de cuidados do paciente que inicia por uma consulta do médico especialista em Medicina Física e de Reabilitação especializado em alterações de equilíbrio e de vertigens. Depois, dá se continuidade através de avaliações instrumentais e medidas adaptadas pelos diferentes membros da equipa multidisciplinar.
  • Avaliações de posturografia/estabilometria pontuais são efetuados pelos membros deste grupo ao pedido de uma equipa terapêutica durante o tratamento de um paciente externo ao pólo.

O tratamento completo é dirigido pelo médico especialista em Medicina Física e Reabilitação. O programa de tratamento da equipa multi e interdisciplinar desenrola-se em indivíduo ou em grupo, incluindo diferentes abordagens em função da patologia e sobretudo do resultado das avaliações clínicas e funcionais realizados no início.

Seis semanas a seguir, a equipa reúne-se para fazer uma síntese sobre a evolução do paciente e decidir o seguimento (adaptação do programa de tratamento, fim de tratamento). Na prática, o pólo funciona habitualmente em salas específicas que permitem pôr em relação as diferentes entradas sensoriais e as respostas posturais. Os meios de exames instrumentais e de reeducação postos à disposição são:

 

  • A posturografia/estabilometria dinâmica informatizada (Equitest©, Multitest©, Satel©), “software” Posturo-Pro
  • O Video-nistágmográfico, a Poltrona Giratória,
  • A medida vertical e horizontal subjectivo da acuidade visual dinâmica,
  • Software para reabilitação real visual aumentado através da plataforma multitest,
  • Estimulação optocinética através de um sistema de projecção vídeo 2D,
  • Avaliações funcionais do equilíbrio bem como a utilização de material de fisioterapia clássica,
  • Trabalho específico ortopsia (estabilização do olhar, alterações oculo-motoras conjugadas, prismas)
  • Em psicologia (gestão do stress, autohipnose)
  • Na terapia ocupacional, avaliar o risco de queda e o medo de cair, bem como a repercussão das alterações do equilíbrio nas diferentes atividades da vida diária. Encontrar estratégias de prevenção adaptadas a cada um, tanto ao nível pessoal como a nível do meio ambiente interno e externo (visita à domicílio, contributo de ajuda técnico, visita sobre o lugar de trabalho, etc.). O objetivo é preservar a autonomia e a independência de cada pessoa no seu quotidiano.
  • Tratamento coletivo em atividades de desporto adaptado através de um trabalho de equilíbrio estátio e dinâmico com percursos ou jogos coletivos adaptados,
  • Reabilitação psicomotora: Avaliações psicomotoras sobre diferentes domínios, nomeadamente o esquema corporal, as coordenações/dissociações dinâmicas e estáticas, o espaço, o tempo, etc. Poderá ser necessário um tratamento individual ou coletivo para responder aos diferentes objectivos determinados através das avaliações com diversos meios: relaxamento (consciência corporal, gestão das emoções, etc.), percursos motores (equilíbrio, coordenação, etc.), expressão corporal (mimo, teatro, dança, etc.), entre outros.

Análise quantificada do movimento e a postura

Análise quantificada da marcha

A marcha é uma atividade essencial do ser humano que permite a cada um de se deslocar de maneira autónoma.

Contudo, a marcha é uma atividade complexa que antes de chegar à maturidade necessita uma aprendizagem de vários anos. Quando chegar à maturidade, a marcha torna-se uma atividade “automática” que não necessita mais de uma atenção específica e que se decompõe numa série de movimentos repetitivos através de um ciclo bem preciso. A automatização desta atividade facilitou o seu estudo, principalmente para medir e estabelecer normas biomecânicas nos três planos do espaço da marcha normal. A definição de normas é essencial para o estudo do movimento porque permite estabelecer comparações e estudar um movimento patológico.

A análise quantificada da marcha permite efetuar um estudo em três dimensões de uma marcha patológica e comparar a mesma a normas previamente estabelecidas.

Numa análise quantificada da marcha, as variáveis cinemáticas, cinéticas e electromiográficas são estudadas. De mais, podemos completar esta análise quantificada pela medida da despesa energética durante a marcha.

As variáveis cinemáicas permitem descrever a marcha e nomeadamente o movimento, a velocidade e a aceleração linear e angular dos diferentes segmentos do corpo. Estes são estudados com ajuda de um material optoeletrónico, constituído por seis câmaras infravermelhas. Estas câmaras permitem localizar e seguir o movimento em 3 dimensões através de sinalizadores reflexos, colados em pontos anatómicos precisos. A ligação destes pontos é feita através de uma reconstrução “em varas” e representam os movimentos dos diferentes segmentos do corpo. A partir do cálculo dos movimentos, pode-se quantificar os movimentos lineares e angulares de cada segmento em relação aos outros e definir por integrações sucessivas, as diferentes velocidades e acelerações.

As variáveis cinemáticas definem as forças que geram o movimento. A plataformas de força permite com ajuda de dados cinemáticos previamente medidos de calcular os momentos (definido pelo produto da força pela distância entre o vetor força e o centro articular) a nível de cada articulação e as potências (definido pelo produto do momento articular e pela velocidade angular) desenvolvidas. Os dados cinemáticos e cinéticos são definidos sob a forma de curvas e que são comparadas à normas.

Os dados eletromiográficos sāo coletados geralmente com ajuda de elétrodos superficiais colados sobre a pele. Informam-nos sobre os períodos de atividade dos músculos analisados durante o ciclo de marcha. Os padrões de atividade recolhidos são comparados a normas que nos permitem localizar os músculos que têm uma atividade negativa durante a marcha. Além disso, os elétrodos implantados nos músculos podem ser utilizados para obter dados detalhados sobre uma atividade elétrica de músculos profundos (Tíbial posterior, psoas ilíaco). Ou para obter dados sobre os diferentes músculos de um grupo muscular como por exemplo do quadriceps, para localizar o músculo com uma atividade anormal.

O conjunto destes dados permite quantificar dados biomecânicos relacionados com a marcha e permite identificar de maneira relativamente precisa as anomalias, bem como os músculos cuja atividade imprópria provoca um disfuncionamento.

Desta maneira, podemos definir se as anomalias são provocadas por uma fraqueza muscular, por uma hipertonia espástica ou por co-contrações do músculo agonista e antagonista provocando uma rigidez articular. Estes resultados vão permitir em certos casos propor uma terapia médica (toxina botúlica) ou cirúrgica (implantação de bomba baclofeno, alongamento muscular, osteotomia, etc.).

A análise quantificada da marcha não representa apenas um exame de diagnóstico mas também é um exame de avaliação. Com efeito, utilizamos muito este exame para avaliar as repercussões sobre a marcha após inativação de um ou vários músculos, obtida através de um bloco neurológico motor ou através de uma injeção baixa de toxina botúlica.

Se a marcha for melhorada, podemos aconselhar com mais certeza a realização cirurgias que têm resultados definitivos e irreversíveis.

Exames complementares eletrofisiológicos

A exploração neuromuscular permite estudar o sistema nervoso central e periférico, os músculos e a junção neuromuscular (contacto entre o neurónio e os músculos). Os exames realizados não necessitam de preparação específica e duram entre meia hora e uma hora.

O exame baseia-se sobre diferentes técnicas:

A electromiografia utiliza elétrodos que são colocados na superfície do corpo ou agulhas finas que são inseridas no músculo que se deseja estudar. Este exame permite detetar a atividade muscular espontânea durante o repouso ou durante a atividade muscular. O traçado obtido é chamado “eletromiograma”

Os exames de estimulo-deteção permitem medir a velocidade de condução das fibras nervosas sensitivas ou motoras e de detetar e localizar uma lesão no sistema nervoso central ou periférico.

Os potenciais sensitivos ou motores são técnicas de stimulo-detecção que resultam numa visão global dos níveis de disfuncionamento do sistema nervoso central e/ou periférico.

As indicações dos exames neurofisiológicos: estes exames são realizados após suspeita de uma condição neuromuscular, generalmente na presença de uma paralisia ou de uma alteração da sensibilidade. Os exames orientam o diagnóstico nos domínios da neurologia, ortopedia, neurocirurgia, reumatologia, reanimação, urologia e medicina física e de reabilitação.

O objetivo destes exames é de optimizar as nossas propostas de tratamento e de revalidaçāo funcional por meio de um diagnóstico e de uma análise precisa da condição neuromuscular.

Exames neuro-urodinâmicos

Desde 1992, o Centro Nacional de Reeducação Funcional e de Reabilitação do Luxemburgo desejou desenvolver um programa de tratamento para os disfuncionamentos vésico-esfíncteriais, prinicpalmente de origem neurológica.

Este programa de tratamento comportava um período de avaliação com os exames urodinâmicos e eletrofisiológicos e um período terapêutico orientado essencialmente para a ensino à autosondagem intermitente. O Serviço de Avaliação e de Acompanhamento Sexo-Neuro-Urológico (SESSNU) foi criado.

Rapidamente, os nossos interesses e os pedidos dos pacientes estenderam-se ao domínio sexual, especialmente a alterações eréteis e de ejaculação. Nesse momento, a nossa ação ainda era dupla: de avaliação e terapêutica através de exames eletrofisiológicos, ensino das injeções intracavernais e colheita de esperma por vibromassagem.

Em 2007, com a mudança nas nossas salas novas , desenvolvemos em colaboração com a equipa de radiologia do Hospital de Kirchberg, a realização de avaliações radiológicas e dinâmicas, os “uretrocistografia retrograda e miccional (UCRM)”.

Por último, em colaboração com o serviço de urologia do Centro Hospitalar do Luxemburgo, dispomos desde o princípio de 2010, de um equipamento que permite a realização de exames cystoscópicos para diagnóstico,.

Atualmente, o contributo destas diferentes abordagens e técnicas permite-nos de dispor de uma plataforma que permite a avaliação do sistema pelvi-perineal e das suas três funções: urinárias, ano-retais e sexuais. A seguir, é proposto um programa de tratamento coerente e adaptado à deficiência global.

No âmbito destes desenvolvimentos, o SESSNU deixa o seu lugar a uma nova unidade que é designada de unidade de avaliação pelvi-périneal (UdEPP).

Prestações médico-técnicas:

  1. Avaliação urodinâmica: este exame permite estudar o funcionamento vésico-esfíncterial no âmbito de fenómenos de incontinência ou de disúria. Mede as pressões intravesicais e esfínteriais gerados a partir de um preenchimento com água, através de uma sonda intravesical. O registo simultâneo da atividade eléctrica do esfíncter estriado e uretral permite avaliar o grau de coordenação entre a bexiga e o esfíncter. Este exame está intergrado num calendário urinário que permite o acompanhamento diário do comportamento urinário, em condições ecológicas.
  2. Manometria ano-retal: este exame permite avaliar o funcionamento ano-retal. Mede as pressões no canal anal na sua parte elevada (esfíncter interno liso) e baixa (esfíncter externo estriado) em três dimensões: repouso, preenchimento de um bakãot intra-retal e pedidos de esforços de retenção.Este exame é feito em casos de constipação e de incontinência anal.
  3. Avaliação eletro-fisiológico-perineal: a afeção das vias nervosas sacrais provoca alterações das funções vesicais, sexuais e retais. Estes exames eletrofisiológicos (EMG – Velocidades de condução – Potenciais evocados somestésicos – Nervo interno (PESNHI)) permitem de objetivar a existência de uma lesão das vias neurológicas destinadas aos órgãos pelvi-perinéais. Potenciais evocados vegetativos completam a avaliação.
  4. Além disso, a proximidade imediata da sala de radiologia permite juntar os exames urodinâmicas às avaliações radiológicos dinâmicos (uretrocistografia retrograda e urinária – UCRM).
  5. Exames cistoscópicos de diagnóstico: avaliação da repercussão dos disfuncionamentos neurourológicos sobre o estatuto vésico-uretral.